Por: Russel Shedd
Francis Spira, advogado italiano de renome, foi
persuadido a aceitar as doutrinas da Reforma. Pregou o Evangelho com convicção
e poder no estilo de Savanarola, de maneira que houve possibilidade de a Itália
aderir ao movimento evangélico que sacudia e transformava o norte da Europa.
Mas o poder da Igreja foi tal que os representantes do papa o prenderam e o
ameaçaram de morte, a não ser que se retratasse. O papel na sua frente
demandava apenas uma assinatura para ele ser livre, enquanto o Espírito Santo
lutava em sua alma dizendo: “Não assine!” Porém Spira afixou sua assinatura
naquela folha. Salvou a vida terrena por poucos anos, mas perdeu sua alma. Na
hora da morte disse: “Meu pecado é maior do que a misericórdia de Deus. Eu
neguei a Cristo, voluntariamente. Sinto que Ele não me reserva nenhuma
esperança” (Imortalidade, p. 252).
Uma das verdades mais importantes na Bíblia é o
modo que a vida neste mundo impacta a vida no mundo vindouro. A parábola dos
talentos transmite uma mensagem inegável. Os privilégios que ganhamos agora
serão cobrados no encontro com Deus. O servo que recebeu cinco talentos ganhou
mais cinco. Na volta do seu senhor, ele ouviu palavras dóceis: “Muito bem,
servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito, venha e
participe da alegria do seu senhor” (Mateus 25:21 – NVI). Observou Johann
Tauler (1300–1361): “Tudo o que negligenciamos aqui será perdido para toda a
eternidade... Por isso, todo homem deve freqüentemente sondar seu próprio
coração e procurar diligentemente até descobrir a quem ele pertence, o que ele
mais ama e em que mais pensa, se seria de Deus ou de si mesmo, ou coisas
criadas, mortas ou vivas... Aquele que indaga essas realidades com real
cuidado, seguramente, saberá à qual ele pertence; não será apenas uma
suposição” (A diary of readings, Editora J. Baillie).
Para os que fielmente andaram nos passos do seu
Deus, a morte perdeu seu terror. Paulo chegou a questionar o que é que
preferiria – sobreviver ou morrer. Disse: “Estou pressionado dos dois lados;
desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor” (Filipenses 1:23 – NVI).
John Wesley, incansável pregador do século 18 e
fundador da denominação Metodista, ergueu seus braços enfraquecidos num gesto
de vitória, e elevando a voz debilitada em santo e indizível triunfo, gritou;
“O melhor de tudo é que Deus está conosco” (Imortalidade, p. 253). John Bunyan,
autor do Peregrino, declarou, “Ainda nos encontraremos para sempre, para cantar
a nova canção e estarmos felizes eternamente num mundo sem fim. Tome-me, pois
estou indo para Ti” (Imortalidade, p. 256).
CONCLUSÃO
Ainda que seja impossível descrever como
sentiremos nesses últimos instantes em que nosso cérebro parará de funcionar,
acredito que seria válido escutar as vozes dos que surgem das sombras da morte.
A morte de um ateu, como o conhecido francês Voltaire, tem uma mensagem sombria
para nós refletirmos antes do momento de partir. “Foi abandonado por Deus e
pelos homens”, e então disse: “Doutor, dar-te-ei metade do que possuo se me
deres mais seis meses de vida”. O médico respondeu: “Senhor, não podes viver nem
seis semanas”. Voltaire respondeu: “Então vou para o inferno”, e logo depois
expirou.
O temor é o princípio da sabedoria. Uma reflexão
sadia sobre como será a última hora de sua vida na terra poderá ser um sábio
exercício de inteligência preventiva. Graças à bondade de Deus, os que se
entregam a Ele pela fé, recebendo sua oferta de perdão em Cristo, morrem com
esperança e paz.
Russell Shedd é PhD em Teologia do Novo Testamento
e doutor em Divindade.

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