terça-feira, 14 de junho de 2011

Eu sou a Porta

Posted by Paulo Carvalho on 07:58 with No comments


Eis que estou à porta e bato.
Não arrombo a porta para não encontrar
do outro lado alguém que não esteja pronto para me seguir.
O trinco está do lado de dentro assim
como a vida de qualquer um.
Eu insisto em bater porque sei que a
quem bate a porta um dia  se lhe abrirá. Fui eu quem  ensinou isso!
Isso é só uma metáfora, pois já estou
do lado de dentro há muito tempo!
Lembra de quando disse que viria e
faria morada? Ninguém mora do lado de fora da casa!
Quando você crescer o suficiente para
alcançar o trinco, abrirá a porta e sairemos juntos para a verdadeira vivência
de comunhão.
Enquanto isso continuo  esperando,
mas espero cuidando para que você cresça.
Não tenho pressa, amo você e sofro
junto as suas dores.
Suas dores são minhas; lembra que eu
carreguei na cruz a sua condição?
A minha atenção está toda voltada pra
você e não para os grandes acontecimentos do mundo.
Eu morri e ressuscitei por você e não
por sistemas e programas que você possa se envolver.
Não chama a minha atenção as grandes
construções, mas as suas lágrimas derramadas em oculto.
Eu sei quando você se preocupa com seus
filhos que levam vidas perigosas e tiram o seu sossego, mas não o meu!
Quando você corre para o hospital
socorrendo o filho querido, eu sempre chego primeiro para orientar a equipe
médica para fazer o melhor.
Eu só permito algum sofrimento porque
sei que não ultrapassará a sua capacidade de agüentar. Eu sei isso!
Quando você perde a vontade de orar
ainda assim eu ouço o seu silêncio e sei o que se passa.
Eu sou o maior interprete da condição
humana. Não precisa inventar nada.
Conheço suas limitações e
impossibilidades e, contudo meu amor não diminui, não amo o que você faz, mas o
que você é... Meu filho amado.
A vida não é fácil pra ninguém e eu não
disse que seria. Mas eu também disse que estaria junto, lembra?
Estou junto sempre. Na hora do passeio,
no cinema com pipoca, no estacionamento sem vaga, na conta bancária sem fundo,
na alegria de uma festa de fim de ano, na prova difícil na faculdade, na
angústia de um filho que enforca a aula pra fumar maconha, no ônibus lotado, na
surpresa do desemprego, na sorte de um concurso aprovado, na falta de vontade
pra tudo, na vontade excessiva pra nada, para desejar o melhor e por isso lutar
ou não fazer nada por já estar na pior, ou seja, o que você quiser relacionar
nada poderá  excluir a minha companhia. Quem ou o quê separará do amor que
lhe tenho? Aqui estou citando Paulo, meu servo!
Não tenho pressa a eternidade começa
agora.
Espero na paciência que sou para
fazê-lo meu seguidor.
A ti cabe o me seguir, o resto é
comigo.
Quem ousa abrir essa única  porta?


Adilson Mendes de Oliveira

terça-feira, 7 de junho de 2011

Somos?

Posted by Paulo Carvalho on 16:13 with 1 comment
Somos pessoas geradas no útero da Modernidade? E como em todo nascimento não se pede pra nascer, assim somos?
Somos o que somos porque assim nos fizeram? Para romper com essa condição imposta precisa saber o que se é.
Somos ocidentalizados!
Ler sobre a Modernidade (o que é muito difícil) nos dá alguma idéia de como nos alienaram de nós mesmos nos impondo padrões de vida que não alimenta a nossa necessidade de Beleza e sim apenas de Utilidade!
A vida se nos tornou apenas utilitária e não a simples possibilidade de desfrutar o existir por existir, sem que se torne  útil ao quê e a quem quer que seja!
Para Deus somos inúteis, porque querer a todo custo sermos úteis num sistema que des-humaniza o humano (não percebido) que somos?
A Modernidade é um dragão que devora a nossa alma roubando-nos o tempo e nos dando sem medida um espaço no qual para preenchê-lo não temos o tempo já indisponível?
Quem lê?  Quem ouve música?  Quem admira um quadro? Quem de fato conversa? Sem que tudo isso não entre numa linha de produção medindo resultados de desempenho  pessoal que nos reduz a uns  objetos de um sistema maior que exaure nosso espaço e esgota nosso sagrado tempo de ser...?
A Modernidade não é de toda má. Trouxe algumas facilidades. Nós também comemos da sua maldade.

Qual o bem que nele não esteja embutido o seu reverso?
Não há cura, e sim possibilidade de conhecimento. Será? Serei?
Mano, leia por amor ao conhecimento e descoberta de si mesmo, ouça os acordes de uma obra de arte que não se curva ao Mercado, admire um quadro, uma pintura,  por amar a sensibilidade que abre a percepção de desfrutar a genialidade e a angústia de uma criação que permite perceber o divino na produção humana. Só por isso.
Quem se arrisca?
Um abraço... Com um tempo a - moderno.


Adilson Mendes de Oliveira