quarta-feira, 21 de março de 2012

Se não Deus , o nada é melhor

Posted by Paulo Carvalho on 05:47 with No comments
Sair do conforto da ilusão prá se lançar no impacto da realidade é um tanto perigoso, mas necessário.
Se é que queremos de fato viver a verdadeira vida.
A ilusão é um conforto porque pode ser construído a partir dos meus sonhos e desejos – segurança.
A realidade não pede licença prá se apresentar como é. Por isso choca e dá desconforto.
Porque o que é, é.
A ilusão é um doce que mantemos por medo do gosto amargo de nos vermos como somos.
Vemos como gostamos de nos ver.
Mas somos maus em nós mesmos e nada temos que possamos merecer o que pedimos.
Se é que pedimos como convém!
Acredito que não, pois a verdadeira oração é aquela que consciente de si mesmo,
Emudece em temor e tremor aguardando a graça que supre o que jamais conseguiremos por nós mesmos.
Até nossa oração e aproximação de Deus é pura presunção.
Pois a oração que fazemos é um esconder-se de Deus e não uma busca consciente.
Buscamos o que na verdade não queremos.
Buscamos até, mas sem querer achar; logo, na verdade não buscamos.
Achar a Deus não está em nenhuma capacidade humana conhecida.
Deus mesmo se revela para a alma que precisa e nada o move a fazer isso,
Senão a miséria humana que movimenta a misericórdia divina em nosso favor, por amor. E só!
Buscar a Deus nos conforta, portanto, porque mantemos a religiosidade em dia.
E assim vamos vivendo tentando apaziguar a consciência, mas o coração sedento não se cala.
E continuará incomodado nesse comodismo nosso de cada dia,
Até que voltemos para Deus.
E se um dia voltarmos acharemos o descanso para nossas almas,
Descanso esse que não está a venda na feira das vaidades religiosas.
Quem quer passar a vida se doando no anonimato de um leprosário só porque é a vontade de Deus?
O pedido a Deus é sempre condicionado por uma necessidade minha e não a satisfação do seu desejo.
Mas uma coisa é certa: quando tivermos um encontro pessoal com o verdadeiro Deus,
Então, e só então, seremos capazes de viver a vida significativa para a qual fomos criados.
Hoje vivemos o que vivemos e a angústia freqüente atesta que não chegamos aonde deveríamos,
Pois nossa movimentação nervosa tende a ser um preenchimento de coisas e programas,
Que não satisfaz nosso coração e nem convence ninguém.
Temos de parar de lutar contra Deus com armas próprias e chegar a dizer: não sei, não sou e não posso.
E também dizer: não quero, se isso for  verdade,
Pois ficar tentando provar o que não é dá um desgaste danado!
Precisamos sair da ilusão das nossas palavras e ouvir o que Deus tem a dizer.
Quando Deus não falar,  que as nossas tolices não quebrem o encanto desse silêncio sagrado!
Que rasguemos as vestes que nos ocultam do mundo e de nós mesmos,
E sejamos vestidos da justiça de Deus que julga o que não enxergamos.
E o que não queremos ver: que nossas produções se tornaram os nossos ídolos
Com isso espalhamos a fama das realizações numa competição com um mundo que não conhece a Deus por isso não o sabe.
Sair da ilusão leva a um trabalho sem volta que mata os meus caprichos,
Mas é necessário deixar cair os acessórios para dar de cara com a essência da vida.
Achar a Deus, ou antes, ser achado por ele, eis o que se constitui entre tudo, o mais urgente,
Senão a única urgência da vida.
O resto é comentário para fuga.
Que a ilusão não seja o deus-capricho mantido em adoração secreta do coração.
Mas que o único Deus seja conhecido e adorado como tal. Isso é viver.
O resto é tentar preencher o que não precisa.
Não está na hora de arrumar a casa?
Que Deus comece quebrando nossos espelhos.

terça-feira, 13 de março de 2012

Qual é a necessidade imediata?

Posted by Paulo Carvalho on 16:04 with No comments


Qual é a necessidade imediata?
Deus é presente!
Então convém a petição e o descanso com a satisfação da esperança.
Insistimos em viver uma programação prévia e elaborada por outros.
Sem ter muito a ver conosco aceitamos de imediato as opiniões e imposições que nosso espírito não assimila.
E aí a vida vira um esforço de encaixar-se nos padrões ditados como norma pelo costume.
Só que ninguém nunca me explicou como é que se respira e eu vou vivendo sem nisso pensar!
Desejamos ser melhores do que somos porque nos deram uma regra com a qual nos medimos.
Nunca ou quase nunca perguntamos prá Deus se ele está contente comigo, se ele realmente gosta de mim.
Não dá tempo de perguntar, pois estou cheio de coisas e a atenção está dispersa.
A oração virou um item a cumprir na relação de coisas que Deus não escreveu.
A oração que devia ser um abraço e beijo no pai, vira um exercício sufocante de troca quase que impessoal.
E a leitura da bíblia então, até virou maratona desgastante com prazo de um ano prá acabar,
E não a leitura de uma narrativa gostosa de assimilar na vida enquanto respiro sem pensar.
E as reuniões que se tornaram repetitivas porque programáticas,
Seguem as rotinas dos diversos ministérios que pela repetição já há muito tempo se descolaram da vida.
Com todos os cuidados, quem de nós poderá dar forma ao espírito?
Que limites podemos dar a um vento que sopra aonde quer?
O relacionamento com um vento seria o de desfrutá-lo e não o de direcioná-lo.
O relacionamento com um espírito não é o de tentar lhe dar forma,
Mas o de permitir tomar a nossa forma e viver sua vida em nós.
Qual a verdadeira forma do louvor, adoração, pregação e oração?
É da mesma forma que você é!
Porque é você quem adora, ora e louva. Então que forma teria senão a sua?
Mas se insistir numa forma simples de se organizar, a vida pode se colocar assim:
Quando conheço a Deus, no íntimo o amo.
Quando de fato o amo, entro num relacionamento de tanta proximidade que o adoro.
Em adoração me dedico a fazer tudo para o seu agrado.
E nesse empenho sincero seu nome é louvado, mesmo sem acompanhamento musical ou lugar determinado.
E aí então seu nome é exaltado entre os homens pelo meu serviço desprendido e quase sempre anônimo.
Porque ele aparece e não eu!
E porque Deus não tem aparecido?
Porque nossa vida religiosa virou um babélico esforço de construção,
Em que as nossas catedrais trazem nos vitrais o colorido das nossas imagens e feitos.
Mas se você tentar ao menos ter uma vida simples,
Pode até vir a enxergar que ele está aqui, sempre.
Qual é a necessidade imediata? Esse é o verdadeiro motivo de se orar a um Deus presente.
No demais resta o descanso na paciência da esperança. Isso é difícil.
Mas vale a pena encontrar, pois o que importa é Deus e eu.
Quem pode acrescentar alguma medida a si mesmo pelo esforço feito?
Descansa então, Ele já sabe de tudo!

Adilson Mendes de Oliveira