Quando vira escritura pode haver distorção.
A Palavra diz as coisas como são,
A escritura sobre a palavra tenta interpretar o que foi dito.
Na interpretação pode se mesclar à mentalidade do intérprete, fazendo surgir inverdades.
A mentira é tudo o que diz ser o que não é,
Tanto quanto dizer que é o que não seja.
A palavra vem sempre dizendo o que seja o que for o que é.
A interpretação do que está dito pode gerar distorção,
Por conta de se acrescer ao que foi dito o universo do intérprete.
Pode virar mentira, sem intenção, mas já não traduz fielmente o que a palavra declarava como sendo.
Trazendo essa reflexão para o ambiente da relação de Deus com os homens e as coisas, o problema pode ser maior.
Por quê?
Porque Deus fala e os homens também.
Deus está sempre falando e os homens também.
Os homens têm pressa de interpretar, Deus a paciência de esperar.
Se os homens se mantiverem em silêncio ouvirão mais sobre o que já é.
Mas os homens não se calam!
O que Deus falou e fala é de fácil compreensão porque é simples.
O que foi falado por Deus está dito e não precisa de muito esforço interpretativo.
A nossa vaidade e presunção é que nos remete ao desejo da glória da autoria,
E com isso tentamos imprimir a nossa marca interpretativa ao que foi dito.
Isso é desnecessário e só serve para encher prateleiras de livros e fazer rodar lucrativamente o universo livreiro.
Deus falou, vamos ouví-lo.
Tudo já está dito por quem sabe o que preciso saber,
O resto é presunção da vaidade.
Posso pensar e falar?
Sim, mas a partir da palavra já revelada. Não mais que isso.
Tenho sempre a necessidade de pensar e raciocinar, mas sempre a partir do revelado.
A construção da minha fala e vida deve ser com material já dado, para não construir sobra a areia.
A areia da transitoriedade humana nunca será solo confiável para se construir uma vida,
Porque é contruída sobre fundamento puramente humano e suas construções interpretativas.
Portanto o único fundamento no qual posso alicerçar os pensamentos e a vida é na rocha eterna.
Rocha eterna entendida como Jesus, a pedra que forma o ângulo de qualquer construção de durabilidade eterna.
Jesus é a convergência de todas as coisas e a partir de quem todas existem.
E sendo Ele a Palavra, tem a preeminência sobre todas as falas e definições possíveis.
Porque Dele, Nele e para Ele são todas as coisas desde antes de tudo, até mesmo da fundação do mundo.
Leiamos o que Ele falou e continua falando, a nós cabe o silêncio com descanso.
Por: Adilson Mendes de OLiveira


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