Apesar de nossa mente
falha e imperfeita, todos os seres humanos têm uma incrível capacidade de se lembrar
das ofensas que sofreu e delas não se esquecer jamais. Algumas pessoas dizem até
que perdoaram as ofensas recebidas, mas não as esqueceu. Até que ponto perdoar
e esquecer se dividem no coração do homem? Como perdoar e continuar remoendo
lembranças amargas?
Pois é. Quando nos
lembramos das humilhações, das ofensas, dos insultos sofridos em determinado
momento de nossas vidas, estamos trazendo de volta os mesmos sentimentos que
tivemos a respeito das pessoas envolvidas nos fatos, outra vez nossos corações
sangram pelas humilhações e mais uma vez, precisamos perdoar nossos ofensores.
É possível se
esquecer dos erros dos outros? Responda primeiro: você se esquece de seus
pecados? Passa por cima de seus erros com a mesma facilidade com que atravessa
a rua? Claro que sim. Temos uma inclinação natural de agravar os erros alheios
e minimizar os nossos, mas não é assim com Deus.
Deus é perfeito e
eterno, portanto tudo Nele é eterno, até Sua memória. Além do mais Deus nunca
pecou, nunca cometeu erros (muito embora muita gente boa atribua a Deus erros
colossais) e, por via de consequência, somente Deus poderia nos acusar dos
nossos pecados. É a regra do “atire a primeira pedra”. Porém, o nosso acusador
é o diabo e não Deus, pelo contrário, Ele providenciou para nós um Defensor Oficial,
um Advogado perfeito, veja: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não
pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo,
o justo." (1 João 2:1).
Se Deus não nos
acusa, então não estamos autorizados a acusar os outros, ainda que suas ofensas
sejam graves e, do ponto de vista humano, “imperdoáveis”. Fazer-nos lembrar de
situações ruins vividas no passado é uma das armas favoritas do diabo para tentar
destruir nossa autoestima e, com isso, sair arrastando para o ralo nossa
relação com Deus, com nossos amados e até conosco mesmos.
Deus se esquece de
nossos pecados e deles não se lembra mais, contudo a condição para que isso
aconteça é o nosso arrependimento sincero. Pecado confessado, é pecado perdoado
e ai de nós se não fosse assim, veja: “Eu, eu
mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus
pecados não me lembro." (Isaías 43:25)
Algumas pessoas já
ouviram a expressão que dá título ao texto de hoje: mar do esquecimento. O que
é isso? Existe um lugar onde Deus lança nossos pecados? Essa expressão é uma
interpretação do texto do profeta Miquéias que diz: “Quem é Deus semelhante a ti, que perdoa
a iniqüidade, e que passa por cima da rebelião do restante da sua herança? Ele
não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na sua benignidade. Tornará
a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniqüidades, e tu lançarás todos os
seus pecados nas profundezas do mar.” (Miquéias 7:18-19)
É claro que é uma
expressão metafórica, pois não existe um lugar específico, no fundo do oceano,
onde nossos pecados são lançados por Deus, porém a interpretação desse texto
criou a expressão “mar do esquecimento” muito usada no meio evangélico, que foi
usada pelo profeta Miquéias para explicar de que forma Deus age com nossos
pecados confessados e perdoados, da mesma forma como alguém que lança nas
profundezas do mar uma pedrinha e jamais poderá resgatá-la.


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